sábado, 9 de outubro de 2010

Canéah Chronicles - Vol.1 - 3ª Saga


- Conspiração -


Poucos foram aqueles que conseguíram iniciar uma jornada tão perigosa e mortífera. Poucos foram aqueles que conseguíram assassinar brutalmente e sem escrúpulos o próprio pai para proveito fútil. Poucos foram aqueles que conseguíram ir ao Inferno e voltar para contar a história... agora, o ciclo implora para que seja concluído...



E ali estava ele, o herói que todos já conheciam, alguns, porque apenas ouviram falar nos seus actos horrendos e horripilantes de criar formigueiro na espinha, muitos por terem morrido pelas suas "mões". Ali estava ele no meio de nenhures, e porquê? Pensou ele. Porque alguém não tinha cumprido a sua parte do acordo.

A raiva apoderara-se dele, o que ali estava a acontecer não era justo. Ele tinha cumprido o seu dever, assassinara Satánas como lhe tinham pedido. E agora, apenas ansiava por voltar para casa. Mas tal coisa não aconteceu. Falharam no acordo, agora todos merecem morrer.

Canéah planeava agora a sua vingança enquanto ficava ali especado a olhar para nenhures, pois não havia para onde olhar. Parece um deserto, pensou. Apercebeu-se da sua distracção e retomou ao seu projecto, arquitectar uma vingança que deixaria a Igreja de joelhos, enquanto implorava por misericórdia. Soou-lhe bem, para isso apenas precisava de exterminar, esquartejar, destruir, corromper, mutilar, liquidificar, explodir, alvejar... (enfim, as maneiras eram muitas, e todas lhe passaram pela cabeça, mas não serão aqui todas referidas pois só isso iria terminar este volume) um único animal. Um animal que, todos que pertenciam a esta instituição, chamavam de Deus. O animal que o traiu no final da sua missão, o animal que agora iria sofrer assim como ele sofreu por não ter contemplado Bársea assim que regressou daquele buraco infernal infestado de Bichôlos e sabe-se lá mais o quê a qual todos chamam de Inferno (ou Cerco, em calão).

Teria de ficar para mais tarde pois agora a prioridade era descobrir onde estava, pelo menos um ponto de referência seria bem vindo. Começou a caminhar, e a caminhar, a caminhar, a caminhar, a caminhar, a caminhar, a caminhar, até que chegou a uma aldeia qualquer, a qual nem se podia comparar com a sua terra natal Bársea Do Obelha E Alubiada. Procurou por habitantes, mas ninguém aparecia. Que deprimência, pensou. Seguiu pelo que lhe pareceu ser a rua principal da aldeia, mas olhando à sua volta concluiu que não havia mais nenhuma. Seguiu até chegar a um café, parecia que toda a população estava no seu interior. Com uma melhor observação determinou que todos sofriam de morte matada e percebeu que ninguém o iria informar sobre qualquer tipo de coisa, como por exemplo, o nome do puto do buraco em que estava enfiado. Virou costas para abandonar o estabelecimento, mas antes de pôr um pé fora da porta pareceu-lhe ouvir algo. Parou, esperou ansiosamente, só conseguía ouvir o bater do seu coração, o qual sempre pensou não ter, até que o som se repetiu. Desta vez até ecoou na sua cabeça. Parecia um gemido, vinha de trás do balcão. Rapidamente se apressou a passo rápido para igualar a descrição de velocidade aqui encontrada, avançou o balcão com um salto e só parou do outro lado. O que ele viu não foi bonito, e não recomenda a ninguém. Um homem perto da morte com os membros esquartejados gemia ali na sua frente. Canéah, com a sua inteligência absurdamente inteligente, concluiu que o homem não iria aguentar muito tempo. Então colocou a questão, "Que buraco é este?" O homem esforçou-se e conseguiu pronunciar um nome. "Aboim" disse ele. Canéah nunca tinha ouvido falar em tal pedaço de monte. Devo estar mesmo no car***o mais velho, pensou. Com achou o trabalho interessante de esquartejamento interessante decidiu perguntar quem tinha cometido tal massacre. O homem fez um último esforço, apontou para um Almanaque, deixou que as costas voltassem a repousar no chão do café, o sangue invadiu a sua boca, e ali morreu.

Canéah dirigiu-se em direcção ao Almanaque, na capa deste vinha alguém que ele reconhecia muito bem, perfeitamente para dizer melhor. Era nada mais nada menos do que o animal que o tinha enganado, o animal que todos chamam de Deus.

Provavelmente passou por aqui e como não encontrou o que pretendia aniquilou este buraco, pensou e bem.

Agora tinha um ponto de referência, sabia que estava num pedaço de monte de nome Aboim. Voltou à estrada, caminhando novamente por terras desconhecidas que nenhum homem devia caminhar por serem tão deprimentes e isoladas da sociedade, leia-se Bársea.
À sua espera, no chão, encontrava-se um cadáver. Revistou-o, encontrado nos seus bolsos um mapa. Adeus Aboim, exclamou bem alto. "Adeus Aboim" espalhou-se pelo local, chamando a atenção de salteadores que patrulhavam naquela zona. Num piscar de olhos Canéah encontrava-se cercado por mais de vinte salteadores, todos ansiosos por lhe arrancarem um pedaço do chicha.

Canéah olhou em roda, contemplando cada uma daquelas tristes criaturas que iriam levar no cortiço como nunca levaram na sua vida. Sacou da sua Knaifa Barseênse. Os salteadores entre olharam-se de maneira chocada, eles já tinham ouvido relatos de tal arma, e antes que todos decidissem correr pelas suas vidas, Canéah balançou a Knaifa até que todos naquele local perderam as suas entranhas. Não sobrou um único salteador para contar o feito.
Canéah contemplou o seu reflexo na lâmina manchado de sangue, o instinto de assassino nunca o abandonara.

Desdobrou o mapa, observou, observou, até que encontrou Bársea. Estava longe, muito longe. A sua vingança iria demorar visto que ainda havia muito caminho a percorrer. Voltou a olhar para o mapa de maneira a decidir para onde iria a seguir, afinal precisava de recarregar energias, e, se ia defrontar tal animal, precisaria mais do que isso, precisaria de armamento, e quem sabe de uns aliados.

Escolheu Amarmarante. Destino traçado, voltou à estrada. Andou, andou, andou, caminhou, caminhou, caminhou, correu, correu, correu. O percurso não era fácil, por vales e montes, selvas e desertos, rios e oceanos, por tudo isto atravessou. Sem falar em todas as criaturas que teve de degolar para sobreviver, Cobras do Demónio, Gaivotas Kamikaze, Cães Atómicos Raivosos, Mutantes, Malteses, Bichas, Sapos Vórtice, Cavalos Bãote Aoku entre outros.
Todos eles exterminados para que o nosso herói conseguísse sobreviver.
Mais uma vez voltou a caminhar, caminhar até chegar ao seu destino. Dias, noites foram passando até que, finalmente, avistou Amarmarante. Vila que já conhecia, de outros tempos. Dirigiu-se a um hotel rasca, simplesmente para passar a noite para que no dia seguinte pudesse voltar ao activo. Entrou no hotel, um quarto para um, disse. A chave foi-lhe entregue e o dinheiro pedido, este o empregado nunca chegou a ver, assim como o dia seguinte.
Percorreu os corredores até chegar ao seu quarto, a chave indicava que o número da porta seria "666". Coincidência ou não, Canéah era mesmo uma besta. Encontrou a porta, entrou, deitou-se na cama e ligou a televisão. Mudou para um canal situado na posição quatro. Estava a dar um programa extremamente fútil que até Canéah odiava, era um tal de "Sicretes Storis", apresentado pela Júlia Pinheigos com a ajuda de anão de 50 centímetros. Canéah reflectiu um pouco antes de desligar a televisão, achou que poderia ser divertido ver a deprimência dos parolos enfiados lá naquela casa. No momento em que ligou a televisão, uma gaja qualquer que para aqui não é chamada estava a fazer-se a um tal pastor, Canéah achou aquilo ridículo. Ainda mais porque o pastor recusou, indignado, mudou de canal. "Ídalos" foi o que encontrou, um tipo que dizia chamar-se Pimpolho começou a "cantar", ou lá o que é que ele estava a fazer. O nosso herói não aguentou e resolveu desligar a televisão.
Adormeceu e teve pesadelos com tal cantor. Foi uma noite agitada.


Pancadas na porta, foi a primeira coisa que ouviu quando acordou. O Pimpolho ainda assombrava a sua mente, mas rapidamente Canéah afastou-o para se concentrar na árdua tarefa de ir abrir a porta. Espreitou pelo buraco (salvo seja) e viu uma cara familiar. Onde é que eu já vi este gajo, perguntou ao seu "subsconsciente". O gorro na cabeça não lhe era estranho, tentou lembrar-se, com esforço, mas tentou. Tentou tanto que conseguiu. Aquele que o acordara de maneira tão rude batendo na porta era nada mais nada menos do que Gasosas. Mas aqui um novo enigma surgiu, ele conhecera-o no Inferno. Como conseguiu ele sair sem intervenção divina, pensou de maneira interrogativa.
Sem querer se esforçar muito, abriu a porta, ele que lhe explicasse, riu-se para o seu "subsconsciente".

Canéah fica ali a olhar para o estranho personagem, à procura de palavras para dizer. Gasosas não disse nada, simplesmente sacou de uma espécie de arma tranquilizante e acertou em cheio no nosso herói. Canéah viu o quarto ficar desfocado, a sua respiração abrandar, e o seu equilibro a desvanecer. Não tardou em cair redondo no chão. Gasosas apressou-se em carrega-lo dali para fora. Passou pela recepção e reparou que a sujeira que Canéah tinha feito quando chegou ao hotel ainda não tinha sido limpa. Levaria a mão à cabeça se não fosse a carregar com os dois braços tamanho animal Barseênse.
Saiu do hotel, entrou na sua viatura e arrancou.


...


Canéah abre os olhos, olhou em sua volta. Viu uma sala e dois vultos. Aguardou a sua visão voltar ao normal para tirar uma conclusão. Aos poucos os vultos foram ganhando forma, um deles, desconhecido. O outro revelou-se ser Gasosas, que agora olhava para ele fixamente revelando alguma ansiedade. Canéah levantou-se, grunhiu algo que não convém ser transcrito para aqui devido ao conteúdo verbal de carácter obsceno.
Gasosas prometeu explicar tudo caso ele se acalmasse, coisa que não aconteceu, então espetou-lhe uma chapada na benta. Canéah ficou indignado, mas percebeu a questão.
Explique-se, afirmou. Gasosas explicou-lhe o rapto, pois achou ser a questão, digamos, mais importante naquele momento. Perguntou ao nosso herói se este se lembrava da organização que o acolheu no Inferno. Canéah ripostou, "a Salto?" Gasosas acenou de maneira afirmativa, movimentando a cabeça para cima e para baixo. Continuou, "assim que destruíste Satánas e escapaste daquele buraco infernal, alguém decidiu fazer uma visita às instalações da Salto... e decidiu mandar aquilo pelos ares... esse alguém foi o animal que agora procuras..." Canéah interrompeu de imediato exclamando: "Deus!!!!!"

"Exacto." Confirmou Gasosas, acenando novamente a cabeça para cima e para baixo. "Eu tive a sorte de nessa altura ter ido prestar a habitual visita à taberna Billassasandes, sendo assim, fui o único que escapou daquela desgraça." "Assim decidi formar a Salto novamente para fazer frente a este Deus, para isso tenho recrutado uns quantos azeiteiros para o serviço, daí o teu rapto. Tudo é feito nas sombras" Canéah riu-se, pois não entendeu que Gasosas o tinha chamado de azeiteiro.

"Mas.... como vieste do Inferno para aqui car***o?" perguntou Canéah. Gasosas respondeu que era uma longa história que envolvia muitas dorgas, álcool e acontecimentos random dos quais não se lembra. Esta resposta serviu para o nosso herói que apenas estava interessado em exterminar Deus e todos os seus seguidores.


Antes de dizerem mais alguma coisa... "Gasosas!" Exclamou outra figura que agora entrava na sala. "Detectamos actividade Divinal no centro de Bársea!!!" Gasosas olhou para o nosso mítico e fantástico herói e disse "Vamos desmantelar toda esta conspiração".

Canéah acenou de maneira afirmativa com a cabeça para cima e para baixo.





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